NOTÍCIA TVI
JORNAL NACIONAL DE SEXTA
Em Fevereiro de 2005, os escritórios da Smith and Pedro, no número 13 do Largo Coronel Ramos da Costa, em Alcochete, foram objecto de buscas legalmente autorizadas por despacho judicial.
Entre os documentos apreendidos constava o original de um fax, de Manuel Pedro, agora constituído arguido no processo, endereçado a José Sócrates.
O documento tem a data de 4 de Abril de 1996, era o actual primeiro-ministro secretário de Estado Adjunto da Ministra do Ambiente, Elisa Ferreira.
Manuel Pedro trata José Sócrates por tu. Começa por lhe pedir desculpa por o contactar via “fax” e explica-lhe:
“É só para saberes o que está em causa”.
A TVI não teve acesso ao documento original, que consta do processo, mas confirmou a sua existência junto de diversas fontes.
O primeiro-ministro, na última comunicação que fez ao país sobre o caso Freeport, foi confrontado pela TVI sobre as suas relações com Manuel Pedro e negou-as peremptoriamente.
Se algum dia o Ministério Público entender que há razões para inquirir o primeiro-ministro, José Sócrates poderá confirmar ou desmentir a recepção do fax e esclarecer qual o assunto que teria Manuel Pedro para tratar com o secretário de Estado do Ambiente em 1996.

O que me impressiona neste artigo do juiz desembargador Rui Rangel é o recurso a uma impressionante dualidade retórica para escrever as suas opiniões.
O artigo não é só uma bravata contra o Jornal Nacional de 6ª Feira, projecto jornalístico que ele manifestamente não entende mas segue com a devida atenção, o que já não é mau.
Primeiro, o Senhor Desembargador espraia-se num preâmbulo em que critica, muito indirectamente, quem quer reduzir o processo Freeport a um "caso" jornalístico:
"É frequente afirmar-se que são os jornalistas que criam os casos, que perseguem as pessoas, que violam o segredo de justiça, assumindo o papel de abutres. (...) Mas daí a dizer-se que são os culpados das crises, culpados, por exemplo, do chamado caso Freeport, por destilarem notícias que não são verdadeiras, é carga a mais para os seus ombros".
Esta delicadeza do articulista chega a ser comovente. "Diz-se", "é frequente dizer-se". Onde está a coragem para pronunciar claramente os nomes de Proença de Carvalho, Freitas do Amaral, Santos Silva, Correia de Campos ou do próprio José Sócrates, revelada a seguir, com toda a grosseria possível, para se atirar ao "casal Moniz"?
Então, Senhor Desembargador, quem diz as coisas que se dizem por aí, "frequentemente"?
O dr. Rangel tem todo o direito a ter as opiniões que tem, como eu tenho de as achar um completo disparate. Mas, para mim - que sou jornalista do Jornal Nacional de 6ª e não renego nada do que assino - é uma decepção ver um magistrado tão corajoso manifestar-se tão reverencial quando esboça, a título de "por exemplo, o chamado caso Freeport", uma modesta crítica a quem está no poder.
Concordo com ele numa coisa. A comunicação social vive "tempos críticos de independência". Mas o Jornal de 6ª não.
Mas tenho para o Senhor Desembargador uma notícia: a Justiça também vive tempos críticos de independência. Ele, sinceramente, espero que não.