quarta-feira, 27 de maio de 2009

A REFORMA PENAL

Família de menor espanca pedófilo

Foi identificado na Judiciária do Porto por várias crianças de uma escola de Gondomar, de quem terá abusado sexualmente, e deixou tranquilamente o edifício da PJ ao final da manhã – a lei não permitia aos inspectores prenderem o suspeito de pedofilia fora de flagrante delito. Mas este não andou ontem mais de cem metros até esbarrar em dois familiares de uma das vítimas, que o espancaram com um taco de basebol, vários socos e pontapés.

in Correio da Manhã, ilustração de Ricardo Cabral

É fácil para mim, como para qualquer um criado a mimos e papas e bolos, ser contra a violência, a justiça pelas próprias mãos e a pena de morte.

Mas há situações na vida que não se podem antecipar: só conheceremos a nossa reacção, o nosso "behavior", se um dia passarmos por elas.

Quando cobri o processo Casa Pia percebi até que ponto a nossa legislação penal esmaga as vítimas a coberto da defesa dos direitos dos arguidos.

Claro que qualquer um criado a mimos e papas e bolos e bons conselhos é a favor dos direitos humanos.

Mas a lei existe porque, no mundo real, é preciso resolver conflitos. Ora, a lei penal portuguesa, ao tempo do processo Casa Pia, já revelava mais capacidade para criar violência do que para a suspender.

Não contentes, os pereiras desta terra fizeram uma lei penal ainda mais absurda.

E agora, vão culpar os polícias e magistrados a quem foi preciso "partir a espinha"? Falar pela milésima vez da crise da Justiça na televisão? Vão p
render os autores do "espancamento popular"? Fazer de nós parvos mais um bocadinho, não é?

Começo a convencer-me de que já estamos habituados.

PORTUGAL D'HOJE COMO HÁ DEZ ANOS

«Em Portugal já não se usam palavras. Usam-se meias palavras para tudo, do insulto ao elogio, da ordem à sugestão. A palavra de ordem é não hostilizar, contemporizar, dialogar, negociar, enganar, se for preciso! – mas não agitar.

Ser politicamente correcto é, nos dias de hoje, tão imprescindível como o telemóvel. Quem não é não está contactável. Pior: não é contactável.

Todas as suas perguntas têm cabimento no JornalD’Hoje. A nossa função é essa, perguntar e obter resposta às perguntas. E quando os senhores que se sentam na coisa pública como se fosse só deles torcerem o público nariz de desagrado pela insistência (...) há sempre uns que se calam.

Gostaria de dizer aos leitores deste jornal que há sempre uns quantos outros que perguntam outra vez o que querem saber e mais outra e outra (...) até à resposta final. E que depois vão confirmar a resposta.

Têm um nome, esses. Chamam-se jornalistas. Bem vindo ao mundo da informação regional, com qualidade nacional.»

RUI VASCO NETO
Editorial do número zero do Jornal D'Hoje
9 de Dezembro de 1999

Quem quiser saber melhor como foi há dez anos, faça o favor de se divertir.

Quem quiser saber como é hoje, faça o favor de abrir os olhos.