segunda-feira, 18 de junho de 2007

O RELATÓRIO SECRETO DO SNS (MAIS UM)



Tenho vindo a noticiá-lo na TVI desde 5 de Junho.

Para além da redução dos benefícios fiscais dados à Saúde em sede de IRS, do aumento anual das taxas moderadoras e da revisão do regime de isenções, o relatório recomenda a extinção dos subsitemas públicos de saúde, com a ADSE à cabeça, ou pelo menos que deixem de ser financiados pelo Orçamento de Estado.

Pela consulta do relatório, fica-se a saber que os portugueses pagam directamente do seu bolso mais pela Saúde do que a generalidade dos europeus, que o regime de comparticipação dos medicamentos penaliza os mais pobres e que há quatro especialidades médicas que, na prática, já são privadas, porque é nos consultórios que se fazem a maioria das consultas.

Uma "derrama" para a saúde, o tal imposto transitório, só é encarada pelos peritos como solução extrema, em caso de falência iminente do sistema.

Num comunicado recente, o Ministro da Saúde comprometeu-se a não criar esse novo imposto nem a cortar no número de isentos do pagamento de taxas moderadoras. Quanto às demais recomendações, o comunicado é omisso.

21 comentários:

Mário de Sá Peliteiro disse...

Mas Correia de Campos não dizia que este documento era apenas um draft? Era mentira?

Jorge Simões? Quem é? Não havia mais ninguém para fazer um estudo com esta importância?

pageros disse...

Isto é um escandalo, temos de denunciar está situação as mais altas estancias europeias, já que o governo não quer saber, o importante é o aeroporto regional da ota, temos que saber o porque de tanta despesa que não tem utilidade nenhuma, e o que é feito do nosso dinheiro, alguem tem de ser resposabilizado por estes desperdicios, eu vou divulgar a noticia no meu myspace deste escandalo, obrigado por nos ter dado esta noticia.

Martinho disse...

Obrigado por ter publicado esta coisa que o Governo queira esconder.

M.P. disse...

Antes de mais nada boa noite.
Sou uma estudante de medicina dentaria que ao ver a reportagem hoje exibida pela TVI fiquei aliviada por verificar que tudo isto está a começar a ser desmantelado.
Queria só contrariar de algum modo um comentario feito no Jornal Nacional pelo Dr. Miguel Sousa Tavares,pois ao contrário do que ele afirmou que existem medicos dentistas em número insufeciente no nosso país, nós existimos e começamos até a ser demais para as demasiadas clinicas privadas existentes no nosso país. Posso por exemplo nomear algumas das coisas as quais os recém licenciados vão sendo submetidos. Quando tentamos ingressar no SNS normalmente o que nos respondem é: "Lamentamos não existem vagas abertas", ou "não possuimos material especializado" ( ora imaginem o meu espanto ao ver na reportagem de hoje que 100 dos centros de saude nacionais já estao equipados com cadeiras da especialidade que nos custaram cerca de 50.000 cada uma) outra das coisas é a introdução no mercado de trabalho onde normalmente apenas encontramos lugares nas chamadas "grandes clinicas", ja franchisadas onde somos práticamente explorados pelos grandes tubarões da medicina dentária. Posso até dar o exemplo de vários colegas que depois de licenciados emigraram para Inglaterra pois la as condições de trabalho são substancialmente melhores. Tudo isto apenas para salientar que não são poucos os medicos dentistas no nosso país, apenas não nos deixam trabalhar no SNS, porquê? Isso já não sei nem compreendo, mas espero que a TVI descubra e rapidamente para o bem de nós médicos e de todos os doentes que necessitam de cuidados a nivel da saude oral e que não possuem condições financeiras para consultarem um consultório privado.

Muito obrigada pela atenção e continuem o optimo trabalho

S Guadalupe disse...

Há já muitos anos que os estudos apontam neste sentido. A fatia que cabe às famílias é cada vez maior... só os impostos não baixam. Resultado: financiamento duplo. Pagamos os impostos que financiam o SNS, pagamos directamente os co-pagamentos (taxas, medicamentos, prótese), quer seja em prestadores do SNS ou de concencionados, e, como se bastasse, sustentamos igualmente um sector que apenas sobrevive à custa da ineficiência do sector público. Há demasiados interesses para que o estado de coisas se mantenha e agrave.

Mas a subtileza de tentar vedar o acesso ao que não interessa, é uma característica de outro tipo de estados...

Anónimo disse...

uma vergonha, ninguém faz nada?

avicena disse...

A Descoberta da Pólvora ou a Manipulação dos Leitores !!!

1.º Qualquer consulta honesta aos dados publicados pela OCDE, OECD Health data 2006, October e uma leitura atenta dos dados da Comissão permitiriam perceber que a Comissão corrige os dados da despesa pública publicados pela OCDE, que diziam que Portugal a despesa pública em 2004 era 73,2% a favor da despesa pública. Que a Aústria, 70,7%, Grécia 51,4%, Hungria, 71,9%, Holanda, 62,3%, Espanha 70.9%, Turquia 72.1% nos Health data OCDE 2006, tinham despesas públicas menores que Portugal.
2.º As consultas da especialidade fazem-se mais no público no privado, que grande descoberta, sempre assim foi no nosso sistema de saúde, Inquéritos Nacionais de Saúde 1995/96; 1998/99. Por exemplo em 1999, cardilogia 53,3% privada; ginecologia 61,7% privada; oftalmologia 67.6%; estomtologia 90.6%. Aliás a Comissão o que faz é antecipar os dados do Inquérito Nacional de Saúde 2005/2006.
Medicina Dentária/Estomatologia pública em Portugal nunca existiu! Qualquer cidadão percebe que o interesse recente dos médicos dentistas e das suas associações pelo SNS, decorre da oferta em número considerável de médicos dentistas formados nos últimos 15 anos e da falta de emprego no sector privado, com os preços a baixarem e o desemprego a aumentar, está na hora do sistema público os contratar a "baixo preço".

Moriae disse...

Vergonhoso ...
Bom trabalho. Há que continuar, enquanto for possível, a mostrar o que se passa.
Abraço,
M.

Anónimo disse...

Há percentagens do PIB e há PIB e a cada PIB o seu país.
Não sei, mas parece-me que é um método de comparação, mas em valor absoluto per capita, quanto será? A relação será a mesma? Duvido.
Fica no entanto claro que com a nova lei orgãnica já publica e que aconselho leitura e com o desaparecimento das Sub Regiões de Saúde se vai aumentar exponencialmente a despesa, que não a qualidade e a organização.
Por exemplo Lisboa irá no mínimo dar origem a 6 estruturas de cúpula e muitas outras estruturas intermédias, calcula-se o regabofe em termos de aquisições.
Entretanto nunca se trabalhou tanto em out sourcing, por exemplo o hospital antes SA agora EPE, contrata um médico à empresa de recursos humanos, por 40 hora e o hospital paga à empresa 40€.
Não?
O que aconteceu em VFXira?
Mandaram embora os contratados e agora devcerto passam ao outsourcing.
Engenharia financeira para beneficiar quem?
O exemplo é apenas um exemplo, mas os valores de algumas horas poderão não estar muito distantes.
Sobre os sub sistemas é de acabar, mas aí os funcionários públicos, por exemplo deixarão de descontar os 1,5 %, para a saúde e devem recorrer ao que recorrem os outros, atendendo a que pagam impostos como todos os outros.
Porque razão nunca se passou para a parte privada, como se passaram as receitas, as requisições de exames complementares de diagnóstico e tratamento?
A resposta oficial era que se iria criar um sistema para ricos e outro para pobres, argumentos na altura de quem estava na oposição, PS,PC.
A novidade é que não havia nenhuma, afinal não foi sempre assim?
Quem quer pagar e pode porque carga de água vai ter de voltar ao Centro de Saúde para pedir para lhe repassarem os exames pedidos por outro médico.
O problema é que os burocratas que mandam no sistema e estão com o caroussel do centrão, há muitos anos são médicos ou enfermeiros ou outros e não querem nem podem largar o osso do poder.
O que se pretende com este estudo é lançar anzol bem iscado, para ver a reacção do povinho e de outros que no fundo sustentam o sistema e refiro-me à classe média em vias de extinção.
Quando acabar, o estado social não mais dará emprego a esta gente que vive do centrão, entretanto muitos já estão ricos à custa de manobras e de colagens ao estado, que tudo deve pagar, especialmente aos privados, que horror...

Gerofil disse...

Felicito o autor do Blog e desde já fico com a impressão de que, de facto, existe "gentinha", demasiado agarrada ao poder (falam eles que vivemos em democracia !!!!) que não se importa de servir a clientela privada, em vez de tudo fazer pela melhoria das condições de saúde reais da população.
Já repararam se se fala em saúde preventiva ? Consta no relatório a liberalização da venda de medicamentos e pôr fim ao monopólio feito pelas farmácias ?
Etc etc etc

Gerofil disse...

Quando se fala em despesas de saúde, então vamos a números:

Infarmed: Tabaco custou 434 M€ em cuidados de saúde em 2005

O tabaco foi responsável por custos na ordem dos 434 milhões de euros em internamentos hospitalares, medicamentos, consultas e exames, só em 2005, segundo uma estimativa divulgada esta segunda-feira pelo Infarmed.
De acordo com um estudo realizado por investigadores da Universidade Católica Portuguesa e da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, os internamentos motivados pelo tabagismo custaram 126 milhões de euros, uma verba que acresce aos mais de 308 milhões gastos em medicamentos, consultas e meios complementares de diagnóstico.

Se os fumadores portugueses tivessem deixado o vício, poderiam ter sido poupados cerca de 144 milhões de euros, dos quais 64 milhões em internamentos e 80 milhões em cuidados ambulatórios.

O estudo «Carga e Custos da Doença Atribuível ao Tabagismo em Portugal», baseado em dados de 2005, estima ainda que cerca de 12% das mortes registadas no país há dois anos tenham sido provocados pelo tabaco.

Em termos de perdas de saúde, calculadas não só pela morte prematura, mas também pelos níveis de incapacidade, os cigarros foram responsáveis por 146 mil anos de vida perdidos.

Destes, 51 mil poderiam ter sido recuperados caso os fumadores portugueses tivessem deixado os cigarros. No total, a cessação tabágica levaria a uma redução de 5,8% nas taxas de mortalidade em Portugal.

Os casos de cancro nos lábios, cavidade oral e faringe, por exemplo, diminuiriam para metade nos homens portugueses, se estes deixassem de fumar, o mesmo sucedendo com as neoplasias malignas da traqueia, pulmões e brônquios, cuja incidência registaria um decréscimo de 45%.

A propósito do Dia Mundial Sem Tabaco, assinalado a 31 de Maio, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou a proibição total do fumo nos locais públicos e de trabalho, lembrando que a cada oito segundos morre uma pessoa vítima de uma doença relacionada com o tabagismo.

Os números da OMS revelam que, actualmente, um em cada dez adultos morre devido ao fumo, sendo que se o padrão actual se mantiver, o tabaco será responsável pela morte anual de 10 milhões de pessoas, em 2020.

Das cerca de 650 milhões de pessoas que actualmente fumam em todo o mundo, metade acabará por morrer vítima do tabaco.

Em Portugal, uma em cada cinco pessoas fuma, um vício partilhado por 31% dos homens e 10,3% das mulheres, segundo dados de 2005.

De acordo com o Eurobarómetro divulgado no mês passado, cerca de metade dos fumadores portugueses quer deixar de fumar, mas apenas um em cada três o tenta realmente.

Diário Digital / Lusa

25-06-2007 17:44:54

Anónimo disse...

Era uma vez um ministro da Saúde que disse que nunca foi a um SAP nem nunca iria. Os médicos não gostaram. Um deles afixou na parede. A sua Directora não foi pidesca. Foi demitida. E não bastando um despacho ministerial, eis que tem de aparecer em DR um despacho de exoneração, o Despacho 13288/2007, que aqui se reproduz:
"Pelo Despacho nº. 1/2007 do Ministério da Saúde, de 5 de Janeiro, foi exonerada do cargo de directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho a licenciada Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso, com efeitos à data do despacho, por não ter tomado medidas relativas à afixação, nas instalações daquele Centro de Saúde, de um cartaz que utilizava declarações do Ministro da Saúde em termos jocosos, procurando atingi-lo, manifestando a Drª. Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso não reunir as condições para garantir a observação das orientações superiormente fixadas para prossecução e implementação das políticas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde."

Gerofil disse...
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Anónimo disse...

Em declarações à agência Lusa, Maria Celeste Cardoso classificou de «mentira» a versão dada hoje por Correia de Campos, em conferência de imprensa, para a sua exoneração, garantindo que mandou retirar a fotocópia de uma notícia com declarações do ministro logo que soube que estava colocada num placard do Centro de Saúde de Vieira do Minho.

«Uma funcionária contactou-me dizendo-me que estava uma pessoa no centro a reclamar no Livro Amarelo pela afixação da fotocópia, e eu, que desconhecia a sua existência, mandei-a retirar de imediato, o que foi feito», afirmou.

A ex-directora do centro de saúde afirma que o médico assume os factos, nomeadamente que colocou a fotocópia quando estava de serviço nocturno, frisando que «não se apercebeu do facto por ter sido num fim-de-semana».

«Há relatórios da funcionária e do médico que foram mandados à Sub-região de Saúde e que estão arquivados», acrescenta, desmentindo, assim, ter sido chamada duas vezes à Sub-região por causa do caso.

Assegura, ainda, que toda a gente, médicos e funcionários, sabe, no Centro de Saúde, como as coisas se passaram e o modo como procedeu quando soube da existência do cartaz.

Maria Celeste Cardoso rejeita, também, as acusações de «incapacidade» hoje feitas pelo ministro, garantindo que «nunca, em nenhuma reunião», das muitas que teve na Sub-Região de Saúde e na ARS/Norte, lhe foi feito «qualquer reparo ou sugestão, em termos negativos, sobre a sua gestão ou sobre a necessidade de cumprir alguma medida do Governo».

A ex-directora sublinha que além de uma licenciatura possui uma pós-graduação em gestão de recursos humanos, e rejeita a tese de que devia ser um médico a gerir a estrutura, sublinhando que a Direcção do Centro integrava uma médica.

Repudia, também, a acusação de Correia de Campos de que teria sido nomeada por razões político-partidárias, sublinhando que o director anterior do centro de saúde decidiu sair por iniciativa própria, e de forma pacífica, pelo que - e atendendo às suas competências e conhecimento do serviço - foi convidada pelo antigo director da Sub-região de Saúde, Carlos Moreira.

Celeste Cardoso garante que só comentou o caso «para repor a verdade», frisando que não teme represálias do Governo: «Tenho uma boa relação com o actual Director, em termos pessoais e de trabalho», disse.

A directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, Maria Celeste Cardoso, foi exonerada, em Janeiro, pelo ministro da Saúde, Correia de Campos, por não ter retirado de uma parede uma fotocópia de um artigo de jornal colocada por um médico nas instalações do centro.

O artigo de jornal - ampliado pelo médico - transcrevia declarações de Correia de Campos em que dizia que nunca tinha ido a um SAP (Serviço de Atendimento Permanente) e ao qual o clínico acrescentou a frase: «Façam como o ministro, não venham ao SAP».

O facto - alegadamente comunicado depois ao Governo por um militante do PS - foi alvo de um inquérito interno, no qual o clínico reconheceu a autoria da colocação da fotocópia e da frase.

O despacho de exoneração de Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso - que é funcionária administrativa do Centro - foi publicado quinta-feira em Diário da República, tendo uma cópia sido fornecida à agência Lusa por deputados socialistas que se manifestaram «incomodados com a situação».

No despacho do Diário da República pode ler-se o seguinte:

«Pelo despacho do Ministro da Saúde, de 05 de Janeiro, foi exonerada do cargo de directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho a licenciada Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso, com efeitos à data do despacho, por não ter tomado medidas relativas à afixação, nas instalações daquele Centro de Saúde, de um cartaz que utilizava declarações do Ministro da Saúde em termos jocosos, procurando atingi-lo», refere-se.

Perante este caso, considera-se demonstrado a situação de Maria Celeste Cardoso «não reunir as condições para garantir a observação das orientações superiormente fixadas para a prossecução e implementação das políticas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde».


Lusa/SOL

Carlos Enes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carlos Enes disse...

Esclarecimento:

Removi dois comentários a pedido do autor, que foi induzido em erro por uma informação jornalística errada.
Removi o meu em que pedia desculpa por não saber como se removiam comentários.
Já aprendi.
O princípio natém-se. Aqui não se censura ninguém.

Espectadora Atenta disse...

Caro Carlos Enes
Parabéns por ter tornado público este relatório. De facto, é escandaloso! E pior é já existir e até hoje ainda não ter sido divulgado...
Tomei a liberdade de o publicar no meu blogue e de fazer referência ao seu Post e ao seu blogue.

Atenciosamente,

Anónimo disse...

Obrigado por intiresnuyu iformatsiyu

sağlık siteleri disse...

"Obrigado por ter publicado esta coisa que o Governo queira esconder."
Eu concordo. você

Tüp Bebek disse...

foi um artigo que eu gostava. Obrigado por compartilhar.