quarta-feira, 18 de julho de 2007

OS GENÉRICOS MAIS CAROS DA EUROPA

Este gráfico foi mostrado esta manhã pelo presidente do Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed), Vasco Maria, na sessão de apresentação de mais uma campanha de promoção dos medicamentos genéricos.

Se o descarregarem para o ampliar, ficarão cara a cara com uma originalidade portugesa. Somos o único país da Europa em que a quota de mercado de genéricos é maior em dinheiro (barras pretas) do que em quantidade de embalagens comercializadas (barras brancas).

De acordo com o Infarmed, a quota de mercado dos genéricos acumulada nos primeiros seis meses deste ano (até Junho) é de 11,33 % em embalagens e de 17,65% em dinheiro.

Ou seja, os genéricos já pesam o dobro nos orçamentos das famílias e no Orçamento de Estado do que representam em tratamentos prescritos e adoptados.

No final da apresentação, Vasco Maria confirmou a evidência: temos os genéricos mais caros da Europa.

Não fiquei completamente espantado. A originalidade dos nossos governos, que inventaram e mantiveram os genéricos de "marca", não serve só para obrigar os farmacêuticos a comprar gavetas para arrumar dezenas de marcas/marcas e de marcas/genéricos.

Os genéricos foram uma oportunidade perdida em Portugal para introduzir um mínimo de elasticidade no mercado dos medicamentos. Os preços máximos são fixados pelo Estado e as companhias de genéricos não encontram o menor estímulo para baixarem preços.

Bem pelo contrário. O vício do mercado dos medicamentos tradicionais (preços mais altos = mais dinheiro para marketing = maior retorno em prescrições ) manteve-se no mercado de genéricos.

As empresas de genéricos gastam fortunas como as outras em "marketing" junto dos prescritores, para obterem receitas (no duplo sentido da palavra) para os seus produtos. Eu ainda me lembro de noticiar há uns anos um paquete de luxo que ia passear médicos e farmacêuticos por uma série de ilhas. Quem pagava a maioria das viagens? Uma multinacional de genéricos.

Originalidade legislativa faz-se pagar com uma originalidade cara para os bolsos dos doentes e dos contribuintes.

Pagamos mais pelos genéricos do que os pobres dos alemães, dos dinamarqueses, dos suecos e por aí fora.

É tão bom sermos ricos.

2 comentários:

Toupeira disse...

Afinal quem autoriza ou autorizou os genéricos?
O Sr Vasco Maria parece que entrou e saiu do Infarmed, ou estou enganado? Quando lá esteve a política dos genéricos não existia. Correia de Campos não tem nada a ver com a situação?
Afinal ao colocar a despesa nas mãos dos consumidores e ao criar situações em que há genéricos mais caros que medicamentos de marca o que espera?
Depois a culpa é dos médicos?
Ora.
As farmácias ganham à percentagem Sim?
Depois fala-se que não sei nada, os tipos da finanças e o MS que investiguem se há brindes... aos farmacêuticos ou seja, vendes 100, pagas 5o e são comparticipados 100? Não me digam que comtanta auditoria apenas descobrem as falsificações quando o buraco está aqui, por exemplo.
Ora meu caro, pode dizer-se muita coisa mas há coisas que só se podem dizer baixinho. é como voar em Angola, conforme o pai que se tem. Se for o chefe dos serviços secretos até crocodilo voa, sim?
Fique bem e faça como eu, não deixe apenas que lhe chamem de urso...

Lúcia Barroso disse...

Aqui está um bom exemplo de desperdício. Porquê 2 tipos de medicamentos (os genéricos e os de marca)? Não era melhor baixarem o preço dos de marca em vez de se desperdiçar dinheiro nos 2? É que deve haver pouca gente a comprar genéricos!