terça-feira, 27 de março de 2007

E SALAZAR GANHOU O TELEVOTO


Um televoto é um televoto. Não vale a pena dramatizar.
Mas os resultados foram o que foram e sempre podiam ter tido outros. Não adianta fazer de conta.
Reabri quase institivamente este "discurso" do século XVI e encontrei lá, sublinhados no meu exemplar, previstas duas explicações para o nosso actual "resultado".


"A PRIMEIRA RAZÃO QUE LEVA OS HOMENS A SERVIREM DE BOAMENTE É O TEREM NASCIDO E SIDO CRIADOS NA SERVIDÃO"

"FAZEM TUDO O QUE FAZEM PARA GANHAREM FORTUNA... COMO SE PUDESSEM GANHAR ALGUMA COISA DE SEU, QUANDO DA SUA PRÓPRIA PESSOA NÃO PODEM DIZER QUE SEJA SUA. COMO SE FOSSE POSSÍVEL, NA PRESENÇA DO TIRANO, ALGUÉM POSSUIR O QUE QUER QUE SEJA, ELES FAZEM TUDO PARA ACUMULAR RIQUEZAS E NÃO SE LEMBRAM DE QUE SÃO ELES QUE LHE DÃO FORÇA PARA ROUBAR TUDO E TODOS, NÃO DEIXANDO A NINGUÉM NADA DE SEU"

LA BOÉTIE

8 comentários:

LFM disse...

É infinita a estupidez do português!

Só há uma conclusão a tirar desta palhaçada:
O resultado obtido deve-se sobretudo ao que se fez (e ao que não se fez), desde o 25 de Abril até hoje!
Agora e para não destoar, andamos todos perder mais tempo a dissertar sobre o assunto.

N disse...

Gostei.
Penso que os portugueses não mudam assim tanto. Somos uma nação que sobrevive apesar de si própria. Temos um receio antigo da mudança e da evolução. Aceitamos como natural ter alguém que decida por nós. A liberdade tem um preço que os portugueses têm dificuldade em pagar. Acordam em caso limite, por isso não somos castelhanos.Nem europeus, a não ser que nos obriguem.A estratégia tem resultado. Alguém quer o Salazar? Raros. Mas o Sócrates representa, dum modo civilizado, o nosso anseio por um pai autoritário, que resolva por nós. Deixem-nos viver a nossa vida diária, calemos os que querem fazer disto um país com objectivo, ética, solidariedade, com alma. A alma dos portugueses é fluida, colectiva, como o mar ou uma manhã de nevoeiro, donde virá o salvador. Adoro ser portuguesa. Este povo dá-me cabo do juízo, mas amo-o.Sobreviver tantos séculos neste modo de não existir, é uma arte.De vez em quando, sonhamos e fazemos uma obra prima. E espantamo-nos de nós próprios. Já agora, que Portugal ganhe à Sérvia. Enquanto não voarmos mais alto, como povo, sempre há o futebol.

Anónimo disse...

A Sra. anterior não é muito diferente desse povo que critica,embora o ame(que bonito), futebol, enquanto não chegam os sonhos...também pode ser que ande no mundo da lua à procura deles...

N disse...

O Sr anterior não sabe ler, ou é distraído. Mas pertenço ao povo que critico, sim.Não sou alemã nem escandinava, tão pouco japonesa. E gosto de futebol, e de bom fado, sem problemas. E de ópera, bailado, jazz...E de estar viva, neste país. Que já foi mais cinzento, mais claustrofóbico, e que eu não trocaria por outro. E que eu amo, claro. Pertenço ao grupo de pessoas que amam.Sem necessidade de se envergonhar por coisa tão fora de moda, vantagem de não ser tão nova. Leia de novo. Talvez entenda o que eu escrevi. Não sou uma mulher de letras, escrevo simples. Para lindo e complicado, citaria poetas. Para ilustrar excepções, há muitos portugueses. E claro que ando no mundo dos sonhos. Trabalho neles, e ainda consigo sentir alegria quando se fazem milagres com trabalho, vontade, e muito, muito mau feitio. E coragem. O que não faz de mim cega. As coisas que amo, amo por inteiro, defeitos e qualidades. Este povo é cheio de defeitos, e um deles é não saber lidar com a memória. Não lida com o passado, e tem dificuldade em pensar no futuro. Para a minha geração, a memória também passa pelo futebol. E ficarei contente se Portugal ganhar à Servia, porque a vida também se faz destas alegrias efémeras. Acredito que seja capaz de trabalhar para outras mais duradouras, como eu sou. Que tenha sonhos, porque o mundo sem sonhos e sem Lua é para as máquinas, não para humanos. Tem problemas em amar um país? Eu não.Não me torna nacionalista.Nem tonta.Nem romântica. Torna-me uma pessoa que consegue amar um país. A capacidade de amar não é linda. Dá um trabalho enorme, exige atenção, obriga a ser. E se não anda no mundo da Lua à procura de sonhos, que anda a fazer? A viver sonhos alheios? A viver a vida diária sem agitar muito as águas? Não acredito, não parece ser o seu género. Nem o meu. Talvez não sejamos tão diferente assim. Olhe o que fizemos ao seu blog, CE!!!

Anónimo disse...

Se não é japonesa parece, ou então tem os olhos em bico!!Enquanto VEXA pensa no fadinho e no futebol (o que muito jeito dá ao Governo) o povo, que tem alguns problemas de memória admito, vota Salazar porque está CANSADO! Cansado, não de esperar pelo pai autoritário ou pelo D. Sebastião (como Vexa alude com o nevoeiro), mas por ser esmifrado e defraudado por todos os políticos de opereta e intelectuais de sucata que têm governado o País desde o 25 de Abril. Futebol e Fado minha senhora é aquilo que aos políticos interessa, assim o povo pode distrair-se e passar-lhe ao lado temas como a Ota ou o novo Quadro de Apoio Comunitário.
O Povo votou Sócrates na tentativa de mudar, não para ter Pai, mas para ver se era possível ter mãe, pelo menos para variar...

N disse...

Tenho um pouquinho os olhos em bico, é genético. Mas tem dias, nuns mais que noutros. Mas no que tanto o incomoda, e a mim também, e mais a alguns milhões de portugueses, não importam os olhos.. Eu sei o que faço em relação a isso, dou a cara, combato, os deuses fizeram-me guerreira, não sei ser de outro modo. E se uma mãe é melhor que um pai, não sei. Não sou feminista, limito-me a ser uma mulher livre, e o pai das minhas filhas é optimo. Sou muito sensível quando os homens são postos em causa, tenho conhecido homens magníficos, até acredito que você o seja, apesar do seu jeito tão português de discutir, ou talvez por isso. Se quer saber, eu votei Sócrates. Não me arrependo. assumo o que faço. Não para ter pai ou mãe, mas para que o episódio triste em curso acabasse de vez. O povo está cansado? Também eu! O povo somos todos nós. E eu, apesar de cansada, tenho tido uma trabalheira com um dos ministros de Sócrates, e não foi por isso que desisti. Na minha área, eu faço muito mais que a maioria. De aeroportos e economia, tento aprender com quem sabe, e quem sabe que fale, lute. E esclareça.Não é vergonha perder guerras, mas não as travar talvez seja. Para mim é. Desculpe não ser tão cansadamente portuguesa. Gosto de fado,( e que terá você contra o fado e o futebol,ora as pessoas não podem distrair-se?),mas não da lamúria. Questão de feitio. Se não concordo, ou não aceito, falo ou faço. Claro que nem sempre ganho com isso, e perco muito. Mas o fado não tem de ser choradinho. E lembro-lhe que a democracia é uma coisa imperfeita, tem de ser regada, preservada, a sério daria para que uma inexistente chamada sociedade civil fizesse muita coisa. Os partidos estão datados, gastos. Não captam os melhores, salvo honrosas excepções. Mas a sociedade civil nem embrião é. Não trate o povo como coitado cansado, não seja paternalista, o povo não é oligofrénico, escolhe o que acha que lhe convem em cada altura. Que propõe? Acabe-se com o fado, o futebol e aulas de explicação para o povo? O povo não precisa disso. Precisa que as regras mudem,e digo-lhe, não se ofenda, que acho a corrupção, a grande, e a pequenina, de tazer por casa, pelo emprego, a cunha, muito mais anestesiante do povo que o fado ou o futebol.Temos, ancestrais, regras de compadrio, o bom povo convive com elas. Temos economia paralela, com que o bom povo também convive. Não ajuda muito a preocupações sobre a OTA, ou semelhantes. Mude as regras, sabendo que nunca as mudará muito, que isto tem demasiados séculos, e terá um povo mais preocupado com o que o preocupa a si, porque não dependerá tanto de favores. Mas, cada um ao seu modo, estamos preocupados com o mesmo. Continuaremos noutra altura.

Anónimo disse...

"Aceitamos como natural ter alguém que decida por nós. A liberdade tem um preço que os portugueses têm dificuldade em pagar."
Ora, parece-me que quem foi paternalista e chamou o povo de oligrofénico não fui eu, a citação é sua!Não votei Sócrates, não tenho medo de ficar "órfão" e muitos que visitam o blog fazem mais do que lhes compete sem precisarem de fazer disso estandarte, não falei do seu trabalho, nem do género masculino e/ou feminino, muito menos do pai dos seus filhos. Agora que é inegável que Vexa gosta de um bom choradinho, é. Seja mais prática, chore-se menos, não coincide com o seu suposto espírito guerreiro...

N disse...

Se há algo que eu aceito é um bom conselho. Obrigada.